terça-feira, 1 de maio de 2012

Cultura de massa VS Cultura popular. Fandom, o fanatismo contagioso...


Segundo Henry Jenkins, (criador do conceito de Convergência midiática), quando um determinado produto está sob o controle de seu produtor, temos cultura de massa. Quando o inverso acontece, e o consumidor final assume esta posição, obtemos então, a cultura popular. Derivado do latim fanaticus, que significa  “devotos”,  pertencente a um templo. A palavra fã significa uma profunda admiração por algo ou alguém.  Esse apreço é expresso normalmente por um determinado grupo de pessoas, que necessitam inconscientemente, externar e projetar esse encantamento para o mundo.

Pelos estudos de Pierre Lévy, nós estamos sob o efeito de um novo dilúvio, onde a informação inunda os nossos dias, sendo redundante ao extremo, persuadindo as nossas mentes que precisam aprender a suportar este grande volume de códigos, imagens e sons. E muito além disso, podemos propagar o nosso universo particular nesse imenso ciberespaço virtual, onde somos consumidores e produtores ao mesmo tempo, interagindo coletivamente.O termo devoção tem um cunho religioso, podendo ser interpretado também como dedicação. Já o fã, está ligado ao fanatismo, relacionando-se também a crença e admiração.

A internet potencializa as ações em grupos, que se organizam como “abelhas”, produzindo conhecimento em conjunto, trocando experiências, informações e difundindo seus ideais. Realizando o processo de inteligência coletiva, dentro de comunidades de fãs, por exemplo. Que adotam uma maneira criativa de utilizar os recursos das mídias emergentes. A essa subcultura de fãs, é atribuído o termo inglês Fandom, (reino dos fãs). Que se unem por compartilharem gostos semelhantes ou até mesmo idênticos, afinidades e sentimentos. Nada mais são que produtores independentes de cultura, criadores que se locomovem pela paixão que possuem em comum.  Reunindo-se antes mesmo da internet existir.

Hoje o Fandom maximiza a segmentação da internet, que  colabora para acelerar seu crescimento, ganhando destaque, propagando cultura gratuita, sustentando produções culturais. Os fãs conseguem interagir agora de maneira ativa, não sendo meros receptores, mas participando com vídeos caseiros, trocando mensagens uns com os outros e até mesmo com produtores e astros de séries em exibição, os seus grandes ídolos.

Henry Jenkins denomina os fãs como o público mais ativo das mídias. Que atua no ciberespaço gerido pelo Fandom, construindo a sua própria cultura e propagando-a de maneiras diversificadas e ricas.

Dentre as formas de interação, podemos destacar:
- Fansites, sites construídos por fãs com vasto conteúdo de informação, frutos de comunidades de conhecimento especializado. Comercializam produtos, artes próprias, consumidas dentro de seu círculo.
- Paródias em vídeos no youtube, sobre seriados ou filmes, pelo formato flash, que vacilita sua veiculação.
- Ficwriter, autores que reescrevem as suas obras literárias favoritas, de acordo com seus interesses, utilizando o ciberespaço para divulgá-las.
- Fanfiction, que faz uma narrativa humorística de uma determinada obra literária, sendo uma  criação independente dos fãs.

O Fandom acaba por moldar a obra exaltada, ao seu belo prazer, interferindo no seu contexto para satisfazer sua vontade. Promovendo a interação e interatividade com a mídia. Assumindo a posição do autor, mesmo não sendo o criador original, o autor primário. Distorcendo muitas vezes a obra, sua essência. Recebendo o feedback dos telespectadores.  Os interesses de ambas as partes, caminham em uma linha tênue, entre os produtores oficiais e fãs. Mesmo que estes, sejam os grandes consumidores e divulgadores de seus produtos.


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