Segundo Henry Jenkins, (criador do conceito de Convergência midiática), quando um determinado produto está sob o controle de seu produtor, temos cultura de massa. Quando o inverso acontece, e o consumidor final assume esta posição, obtemos então, a cultura popular. Derivado do latim fanaticus, que significa “devotos”, pertencente a um templo. A palavra fã significa uma profunda admiração por algo ou alguém. Esse apreço é expresso normalmente por um determinado grupo de pessoas, que necessitam inconscientemente, externar e projetar esse encantamento para o mundo.
Pelos estudos de Pierre Lévy, nós estamos sob o efeito de um novo
dilúvio, onde a informação inunda os nossos dias, sendo redundante ao extremo,
persuadindo as nossas mentes que precisam aprender a suportar este grande
volume de códigos, imagens e sons. E muito além disso, podemos propagar o nosso
universo particular nesse imenso ciberespaço virtual, onde somos consumidores e
produtores ao mesmo tempo, interagindo coletivamente.O termo devoção tem um
cunho religioso, podendo ser interpretado também como dedicação. Já o fã, está
ligado ao fanatismo, relacionando-se também a crença e admiração.
A internet potencializa as ações em grupos, que se organizam como
“abelhas”, produzindo conhecimento em conjunto, trocando experiências,
informações e difundindo seus ideais. Realizando o processo de inteligência
coletiva, dentro de comunidades de fãs, por exemplo. Que adotam uma maneira
criativa de utilizar os recursos das mídias emergentes. A essa subcultura de
fãs, é atribuído o termo inglês Fandom, (reino dos fãs). Que se unem por
compartilharem gostos semelhantes ou até mesmo idênticos, afinidades e
sentimentos. Nada mais são que produtores independentes de cultura, criadores
que se locomovem pela paixão que possuem em comum. Reunindo-se antes mesmo da internet existir.
Hoje o Fandom maximiza a segmentação da internet, que colabora para acelerar seu crescimento,
ganhando destaque, propagando cultura gratuita, sustentando produções
culturais. Os fãs conseguem interagir agora de maneira ativa, não sendo meros
receptores, mas participando com vídeos caseiros, trocando mensagens uns com os
outros e até mesmo com produtores e astros de séries em exibição, os seus
grandes ídolos.
Henry Jenkins denomina os fãs como o público mais ativo das
mídias. Que atua no ciberespaço gerido pelo Fandom, construindo a sua própria
cultura e propagando-a de maneiras diversificadas e ricas.
Dentre as formas de interação, podemos destacar:
- Fansites, sites construídos por fãs com vasto conteúdo de
informação, frutos de comunidades de conhecimento especializado. Comercializam
produtos, artes próprias, consumidas dentro de seu círculo.
- Paródias em vídeos no youtube, sobre seriados ou filmes, pelo
formato flash, que vacilita sua veiculação.
- Ficwriter, autores que reescrevem as suas obras literárias
favoritas, de acordo com seus interesses, utilizando o ciberespaço para
divulgá-las.
- Fanfiction, que faz uma narrativa humorística de uma determinada
obra literária, sendo uma criação
independente dos fãs.
O Fandom acaba por moldar a obra exaltada, ao seu belo prazer,
interferindo no seu contexto para satisfazer sua vontade. Promovendo a
interação e interatividade com a mídia. Assumindo a posição do autor, mesmo não
sendo o criador original, o autor primário. Distorcendo muitas vezes a obra,
sua essência. Recebendo o feedback dos telespectadores. Os interesses de ambas
as partes, caminham em uma linha tênue, entre os produtores oficiais e fãs.
Mesmo que estes, sejam os grandes consumidores e divulgadores de seus produtos.

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